Sem Fiol, caminhões percorreram o equivalente a 11 voltas na Terra para chegar a porto de Maragogipe

Foram necessárias aproximadamente mil viagens, de 450km cada, para transportar as 44 mil toneladas de minério de Piatã até Maragogipe

Navio Star Athena, de bandeira Norueguesa, atraca no Terminal de Uso Privativo (TUP) da Enseada para receber carregamento de minério de ferro baiano. (: Divulgação / Ascom Enseada)
Navio Star Athena, de bandeira Norueguesa, atraca no Terminal de Uso Privativo (TUP) da Enseada para receber carregamento de minério de ferro baiano. (: Divulgação/Ascom Enseada)

No último dia 1 de agosto, o estaleiro Enseada, em Maragogipe, começou sua primeira operação de carregamento de minério de ferro para exportação. Foram necessárias aproximadamente mil viagens, de 450km cada, para transportar as 44 mil toneladas de minério da empresa Brazil Iron do município de Piatã até o estaleiro em Maragogipe, na Bahia de Todos os Santos. Somadas, as viagens seriam o suficiente para dar 11 voltas no planeta Terra.

Segundo o presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Antonio Carlos Tramm, essas mil viagens poderiam ser evitadas se o Tribunal de Contas da União (TCU) não estivesse impedindo a conclusão da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol). “Já se vão dez anos que a Bahia clama por essa ferrovia e o processo segue parado no TCU. Transportar de caminhão é caro, demorado, desgasta as estradas e polui muito mais do que que se fosse transportado por trem. Tudo isso poderia ser evitado se a Fiol estivesse pronta”, defende Tramm.

As obras do trecho I da Fiol, que vai de Caetité a Ilhéus, já estão 80% concluídas. A liberação para conclusão aguarda há dois anos parecer do ministro do Tribunal de Contas da União, Aroldo Cedraz. Interessados diretos no início da operação na ferrovia, como a CBPM, o vice-governador João Leão e as federações baianas das Indústrias, da Agricultura e do Comércio tem cobrado insistentemente uma posição do ministro, mas até agora sem sucesso.

Em entrevistas recentes à imprensa, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, tem dito que só depende da liberação do TCU para fazer a licitação para conclusão do trecho I. Freitas defende a obra como prioritária, pois já conta com investidores interessados e carga garantida.

A capacidade de carga estimada para o trecho I da Fiol é de 60 milhões de toneladas por ano. Só a Bamin-Bahia Mineração, que possui uma mina pronta para operação em Caetité, pretende transportar 20 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, um terço da capacidade da ferrovia.

Com a demora na liberação das obras, a Bamin está buscando alternativas. Nas próximas semanas a empresa vai começar uma operação de teste para escoar minérios pelo porto de Maragogipe, da mesma forma que a Brazil Iron. Os caminhões da empresa devem transportar 800 mil toneladas de minério de ferro por ano, saindo de sua mina em Caetité. Sem FIOL, o trajeto equivale a 220 voltas no planeta

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